Nuvem de Diagnósticos de Enfermagem

Resumo da ópera

A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE® é uma taxonomia clínica, ou seja, é uma estrutura sobre fenômenos sobre o(a) paciente (diagnósticos e resultados) e sobre o cuidado da(o) enfermeira(o) (intervenção) com foco na estratégia de saúde baseada em informação e conhecimento. No que se refere à Estratégia de Saúde Digital 2020-2028 (ESD28), a CIPE®, caso seja incluída na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), será um recurso para classificar e facilitar o acesso à informação, em qualquer lugar ou sistema ou plataforma (interoperabilidade), sobre o(a) paciente e o cuidado recebido pela(o) enfermeira(o).

Os dados compartilháveis do(a) paciente são a chave para a verdadeira transformação em saúde digital no SUS. Para tanto, há que se garantir dados precisos e confiáveis que possam subsidiar as decisões sobre o atendimento interprofissional, melhorando os resultados do(a) paciente (família e população) e otimizando os custos no processo, um dos propósitos da Rede Nacional de Dados em Saúde/RNDS. Neste sentido, a taxonomia de enfermagem (CIPE® ou outras) deve fazer tanto parte da base de dados do Prontuário Eletrônico do(a) Paciente (PEP) quanto da base de dados mínimos da RNDS. Esta é a condição fundamental para a(o) enfermeira(o) compartilhar seu processo de trabalho durante o encontro clínico, com paciente e equipe interprofissional, nas mais diversas interfaces digitais (Conecte SUS, por ex).

Como a CIPE®, uma taxonomia de enfermagem, se insere na ESD28?

Um pouco de história. Em 1973, quando os(as) técnicos de Tecnologia e Informação (TI) que estavam trabalhando na informatização do hospital perguntaram às enfermeiras Kristine Gebbie e Maryann Lavin qual terminologia de enfermagem deveria ser incluída no sistema, elas pediram um tempo e convocaram as colegas para realizar a Primeira Conferência para a Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem.

No momento, pesquisadores(as) buscam criar padrões dos dados de saúde de modo a contemplar o trabalho da equipe interprofissional de saúde com o(a) paciente. Neste sentido, a Systematized Nomenclature of Medicine – Clinical Terms (SNOMED CT) é o modelo de interoperabilidade das terminologias da saúde e da enfermagem (CIPE®, NANDA, etc) no contexto nacional e internacional (International Council of Nursing – ICN).

O que na ESD28 aponta a CIPE padrão de interoperabilidade ?

No meu entendimento, a ação 6.2 PADRÕES E TERMINOLOGIAS explicitamente trata da necessidade incluir as terminologias clínicas por serem necessárias para a expansão dos serviços e funcionalidades (Prontuário Eletrônico, por ex) que atendam aos interesses de todos os setores da saúde. Isto posto, justifica-se o trabalho de advocacy pela inclusão da CIPE®, ao menos, como uma das terminologias clínicas da RNDS.

Além desta ação, por conta do trabalho da(o) enfermeira(o) com a teleconsulta e a telessaúde, pela leitura do documento, notamos que a taxonomia de enfermagem é imprescindível para as ações: 3.3 PROMOÇÃO DA TELESSAÚDE E DE SERVIÇOS DIGITAIS e 7.1.1 Promover suporte ao contato assistencial

Qual a principal contribuição de uma taxonomia de enfermagem à ESD28?

A(o) enfermeira(o) que documenta com a CIPE, enquanto uma taxonomia de enfermagem, o cuidado prestado à pessoa tem o potencial de contribuir para a execução da Prioridade 3: Suporte à melhoria da atenção à saúde

Com a CIPE sendo usada para o registro eletrônico de saúde (RES), a(o) enfermeira(o) comunica-se com a equipe interprofissional, bem como gestores(as) e, deste modo, contribui para a ação 3.1 APOIO À CONTINUIDADE DA ATENÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS.

Próximos passos

Por defender que “Todx enfermeirx, uma enfermeirx digital e conectadx, até 2028“, a CIPE e/ou a SNOMED CT precisam desde já ser incluídas na documentação do processo de enfermagem. Como? Vamos conversando a respeito. Adianto que em breve teremos um webinar com a Profa. Dra. Maria Miriam Lima da Nóbrega para tratar deste desafio. Participe!


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